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Exposed Resenha

Foto do escritor: Renata Salles
Renata Salles
26 de nov. de 2016
3 min de leitura

Exposed é a Lionsgate em: como destruir um filme em três passos


Exposed, co-produzido e estrelado por Keanu Reeves foi anunciado como um thriller policial mas, sinceramente, não sei se posso concordar, pois o filme possui um traço quase insignificante de suspense em sua narrativa.


Originalmente o longa se chamaria Daughter of God ou Filha de Deus, um drama com linguagem bilíngue de inglês e espanhol, mas foi re-editado pelos produtores da Lionsgate que insistiram em transformá-lo em um “thriller policial com Keanu Reeves” visando o aumento de bilheteria, ao ponto do diretor e roteirista Gee Malik Linton remover seu nome do projeto.


Exposed se concentra em um detetive que investiga o assassino de seu parceiro corrupto, complicada por seu envolvimento com a viúva da vítima e pela indisposição de seu chefe em investigar o caso, entrelaçada a história de uma jovem latino-americana que passa a ter visões surreais após testemunhar um milagre.


* Trailer final após a mudança de nome e saída do diretor. Exposed teve data de lançamento nos Estados Unidos em Janeiro de 2016, Filha de Deus é de 2015.


“Quando vi o trailer que estão usando foi chocante”, disse Ellyn longo Marshall, diretora de elenco e amiga Linton. “Não tinha nada a ver com a história, é apenas um filme diferente.”


Assim como outros membros da produção, Keanu Reeves definiu o roteiro original como “muito poderoso”, e seu papel era pequeno, de suporte. Era um daqueles casos em que um ator famoso faz um filme independente, afim de ajudar a produção a obter financiamento. A Lionsgate foi abordada e adquiriu o projeto sem ver direito do que se tratava quando os recursos próprios de Gee Malik esgotaram durante a pré-produção.


Na visão do escritor e diretor, Filha de Deus é um drama social semi-surreal sobre violência contra a mulher, corrupção policial e abuso infantil, rico em subtramas de tensões raciais, relações familiares, religião, e os efeitos da brutalidade policial e do encarceramento sobre as comunidades negras e latinas. No entanto, as mudanças drásticas operadas pelo estúdio transformaram o filme reflexivo em Exposed, um thriller genérico e confuso, onde os personagens parecem apáticos ou instáveis, você sente o tempo inteiro que tem algo faltando, e tudo soa meio esquisito.


Apesar disso, o pano de fundo poderoso da história original permanece até certo ponto, o filme dá vários lampejos do que deveria ter sido, principalmente da metade para o final quando o curso é reajustado, e a história da Izabel começa a se encaixar.


E a partir daí lembra um pouco O Quarto de Jack. Não o filme, é claro, mas a sensação de angústia vivida pelo espectador. Assim que a personagem de Ana de Armas começa a chamar a atenção (uma vez que nada mais faz sentido) você entende quase imediatamente o que aconteceu, e o filme mal está na metade! Você fica com aquela inquietude de ver um ponto muito importante e doloroso ser tão mal explorado, e ao mesmo tempo dá um alívio, porque quando se entra em um tema como esse não dá para sair sem nenhum ferimento.



O filme tem um ritmo lento quase insuportável se você não se concentra em Izabel e no que suas visões significam, e acho que só assim esses 102 minutos de vida gastos podem valer a pena. No final, ainda que não seja nem de longe a intenção do estúdio, Exposed acaba se tornando uma história sobre trauma, carregada com o gosto amargo do “poderia ter sido”.


A liberação da versão final do filme resultou na circulação de acusações de uma Hollywood “whitewashing”. “Você precisa do homem branco”, disse Mark Downie, um dos produtores da versão original, ao site The Root, “então você remove muito do que é especial e único no enredo”, o que, por si só, já é extremamente problemático. É como se você tivesse um quadrado, mas precisasse passar por um buraco redondo: ou você se encaixa, ou sai do parquinho.


A direção da versão final foi assinada Declan Dale, um pseudônimo para ninguém.


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