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O necessário NÃO é demais

Foto do escritor: Renata Salles
Renata Salles
16 de dez. de 2016
2 min de leitura

O necessário não é demais

Quando se vive em comunidade o necessário não é demais


Sabe aquela música do Mogli “necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais…”?



Bonitinha, né…?


Mas tire isso da sua cabeça agora!


Veja, não é que eu tenha algo contra o filme ou a música, nem de longe! A música fala sobre você levar a vida “na boa”, sem surtar com os problemas que aparecem, mas aqui estou usando este conceito “somente o necessário” na forma mais literal para exemplificar e criticar pessoas sem situações cotidianas okay? Então okay!


Porque é incrível como algumas pessoas se prendem firmemente a este conceito, e são incapazes de enxergar (e muito menos seriam dignos a fazer) nada além disso: o necessário. Não é bom, não é ruim, é apenas o necessário; enquanto outras pessoas – estas, certamente uma número esmagadoramente maior – parecem simplesmente não saber (e por muitas vezes realmente não sabem) sequer o que necessário significa – o ápice da mediocridade. É uma mistura insuportável de incompetência com ignorância (no sentido literal, sem ofensas pessoais) somados ainda a uma extraordinária falta de bom senso.


Me pergunto se existe algum motivo específico para haver divergências tão díspares em noções de Direito versus Obrigação entre pessoas que, por muitas vezes, possuem educação e histórias semelhantes. Qual é o fator que determina se a pessoa será capaz de não somente ser sensível aos demais, como de fato conseguirá entender e, mais que tudo, conscientemente pertencerá à comunidade de forma positiva?


“Seu limite termina quando começa o do outro”. Não é tão difícil assim, vai? Tem até frases feitas e “sabedorias comuns” espalhando este conhecimento um tanto óbvio. Porque tanta gente simplesmente (ou deliberadamente) não consegue entender?


E aí chegamos a uma equação simples: quando uma pessoa não compreende a vida em comunidade – que é basicamente um equilíbrio das relações de direito, obrigação e do necessário – e, desta forma, não está realmente apta a integrar este sistema, como poderia ser um bom chefe, líder ou mesmo um bom colaborador? Como poderia ser ético e justo e profissional se é incapaz de enxergar o outro, e menos ainda de entendê-lo e de respeitá-lo? Como seria um bom vizinho ou uma boa pessoa no trânsito ou um bom pai ou mãe? Porque o ser humano reproduz e nós ensinamos o que conhecemos.


As consequências dessa obscena mistura de negligência com má vontade são severas e claras no caos diário das grandes cidades, e reduzem significativamente tanto o relógio pessoal, quanto o relógio coletivo de vida. Mas, no final das contas, o que falta para que todos criem certa consciência? É educação? Tolerância? Respeito? Bom senso? Autoconhecimento? Todas as opções acima? Outras opções?


Pois eu digo que o necessário não é demais. O necessário sequer é suficiente.


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