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Curso ensina a tratar bem as mulheres, literalmente

Foto do escritor: Renata Salles
Renata Salles
16 de nov. de 2016
3 min de leitura

Existe um polêmico curso na Noruega que ensina refugiados a tratar bem as mulheres. E aí? É uma boa iniciativa ou um ato que contribui para a estigmatização social?



E ali estava eu, linda, em uma bela tarde de quinta-feira vendo o meu feed no Facebook (falando nisso, já curtiu a página de Catarse?) quando me deparo com uma reportagem da BBC sobre O curso polêmico na Noruega que ensina refugiados a tratar bem as mulheres. Achei interessante, então fui lá ver…


Acontece que teve uma série estupros cometidos por imigrantes na Noruega em 2009, que já acendeu uma chama de desconfiança, e agora que a Europa passou a receber centenas de milhares de refugiados sírios, iraquianos e afegãos, e ainda mais depois de casos como o de “abusos em massa” cometidos por gangues de homens em Colônia, na Alemanha, no Ano Novo, vários países passaram a se interessar por esses cursos que ensinam coisas como limites de comportamento, o que constitui um crime de estupro, violência doméstica e o que fazer quando se testemunha uma agressão sexual.


Nem preciso dizer que causou polêmica né? Em 2014 a Noruega teve 1.266 casos registrados de crimes sexuais, destes, 1.099 foram cometidos por noruegueses. 33 crimes foram atribuídos a sírios, iraquianos e afegãos. Críticos estão dizendo que cursos como este ajudam a estigmatizar os imigrantes, tratando-os praticamente como estupradores em potencial, mas de qualquer forma, não podemos encarar os números como apenas números. Foram 33 vítimas, e isso é muito.


Todavia, estes cursos estão entre os vários outros, como os da língua nativa, por exemplo, que são oferecidos aos refugiados recém chegados, então são obrigatórios. Preven Svendsen, diretor do centro de refugiados da Noruega, afirma que os cursos oferecidos aos refugiados ensinam a eles muitos aspectos das diferenças culturais, e que este curso que ensina refugiados a tratar bem as mulheres é apenas mais um deles.


Os cursos duram quatro horas e muitos dos refugiados acham o curso positivo, pois tem esperanças de que as informações os ajudem a encontrar uma parceira no novo país.

Estigmatização social?

Na loja em que eu trabalhei na Irlanda tinha três afegãos, e devo dizer que um era até simpático e ficava sempre na dele, mas que os outros dois tratavam as mulheres – que constituem a maioria dos funcionários – de forma bem desrespeitosa. Eles te olham e falam com você como se você fosse indigna de respirar o mesmo ar que os deles, eram mal educados e mesmo quando se viam em posição de ter de se desculpar, seguiam com ar de superioridade.


É claro que não dá para dizer que todos os afegãos são assim, mas essa já foi a maioria absoluta dentre os que eu conheci, e o suficiente para me deixar com uma péssima impressão – e garanto que não fui somente eu.


Existem diferenças sociais muito grandes sim, e nesse momento da minha vida e depois de ter passado pelo que passei, acredito que é mais do que obrigação deles se atualizar e assimilar essas diferenças no momento em que eles entram em outro país.


Quanto ao curso, acredito que é ótimo! A questão é como ele é ministrado e absorvido. Contanto que haja respeito de ambas as partes, está tudo lindo! Tenho esperanças de que a estigmatização social irá se desconstruir naturalmente com o tempo.

Imigrantes são potenciais estupradores?

Uma das críticas a este curso é a de que ele coloca todos os homens imigrantes em posição de potenciais estupradores, mas, meus queridos,qualquer homem é um estuprador em potencial, você se sentindo à vontade com isso ou não! Eu expliquei, discuti e dei exemplos disso no post Precisamos falar sobre Falocentrismo. Vai lá dar uma olhadinha, tá?


Eu acho super válido e necessário trazer este curso para as escolas brasileiras, mas não somente para os rapazinhos, como para as garotas também – o respeito vem das duas partes né? Eu também falei e levantei a bandeira sobre o ensino de respeito às questões de gênero nas escolas no post sobre Falocentrismo. Sério, vai lá dar uma olhadinha que está bacana! S2


Bom, é isso.


Me conte nos comentários se você concorda, discorda com tudo isso.


Beijos!

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CATARSE

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